Antes de ser psicóloga sou um ser humano…Neuras nos acompanham de vez em quando rs, a dica é parar e analisar se aquela preocupação faz realmente sentido, ou se estamos exagerando demais…
Ana Paula M. Petry

Arquivo pessoal Ana Paula M. Petry

Quando nos tornamos pais e mães, inevitavelmente, junto aparecem culpas e neuras de não saber como lidar com os obstáculos diários que temos ao criar nossos filhos…  Será que precisamos nos preocupar tanto assim? Hoje nossa conversa é com a Ana Paula M. Petry, uma super mãe de Salto Agulha, psicóloga, coach de mães, idealizadora do projeto Gestando e Aprendendo (@gestandoeaprendendo), editora da página Licença Maternidade (@licmaternidade) e extremamente encantada pelo universo materno, ela nos conta um pouquinho sobre como lidar com esse lado tão desafiador que enfrentamos ao nos tornarmos pais e mães….

Ana Paula com seus dois filhos: Pietro (4 anos) e Laura (2 anos) Arquivo pessoal Ana Paula M. Petry

O que muda em nosso psicológico quando nos tornamos pais?

Tudo, rs… Experimentamos sensações muito mais intensas, sentimentos de uma forma bem diferente de antes, nos tornamos mais preocupados, muitas vezes ansiosos, inseguros, mas ao mesmo tempo não acreditamos na força que tínhamos e nem sabíamos. Quando nos tornamos pais, tudo muda de uma forma muito mais intensa do que se imaginava.

Quais são as primeiras dúvidas/inseguranças/culpas que os pais mais trazem hoje em dia?

No meu dia a dia de trabalho, percebo que as maiores duvidas são se estão fazendo tudo certo, desde quando estão gestando o bebê, até depois que crescem. As culpas giram em torno das comparações que fazem com os outros pais, pois no mundo do Facebook, hoje em dia, a maternidade/paternidade muitas vezes é mostrada de uma forma irreal, onde os filhos são perfeitos, e os pais também, e isso traz uma sensação imensa de frustração nos pais reais.

Como podemos lidar com as pessoas que palpitam sem ter noção de que estão invadindo a intimidade alheia?

A intenção é ser sempre muito claro. De forma educada, dizer que entende o motivo de a pessoa estar dando aquela “sugestão” ou “dica”, mas que prefere fazer ao seu jeito, pois afinal, não existe receita.

Com tanta maldade, ofensas gratuitas, julgamentos, desrespeito, você acredita que poderemos deixar filhos melhores para o mundo? De que forma?

Com certeza sim, pois depende muito mais do nosso papel de pais, e eles serão a consequência disso, serão reflexo da educação que dermos a eles.

Como você, psicóloga, lida com as adversidades e dúvidas que a maternidade carrega? Você faz terapia também?

Antes de ser psicóloga sou um ser humano, e como tal, vivo cheia de duvidas, angústias, medos e preocupações com relação a maternidade. Costumo sempre dizer que sou mãe dos meus filhos e não psicóloga, e de verdade, sei que é de uma mãe que eles precisam no momento, mesmo com os erros que me acompanham, se um dia precisarem de psicólogo, certamente não serei eu a melhor pessoa a lidar com eles neste sentido. Quanto a mim, no momento não estou mais fazendo terapia, pois, ganhei alta, mas não vejo problema se em algum momento tiver que voltar, pelo contrário, fazer terapia é um crescimento imenso e sempre me ajudou demais.

É possível maternar sem neuras? Quais as dicas que você pode dar para as mamães de primeira viagem?

Neuras nos acompanham de vez em quando rs, e a dica é parar e analisar se aquela preocupação faz realmente sentido, ou se estamos exagerando demais. Podemos e devemos pegar mais leve com nós mesmos. Mas acredite, não são só as mães de primeira viagem que passam por neuras, as de outras tantas viagens também, afinal, cada filho é diferente e nos traz situações novas e desconhecidas.

Como saber se estamos no caminho certo da maternidade, já que não existe uma “receita” para maternar.

Você saberá que está no caminho certo, mesmo que um pouco em dúvida…nós sentimos, e a resposta está nos nossos filhos, e em muitas vezes, deixar teorias de lado e seguir mais o apego e nossos corações.

Como saber se a culpa que sentimos é real ou se estamos exagerando! E como podemos lidar com este sentimento?

Fazendo uma auto avaliação. Olhando ao nosso redor, para pais reais, que vivenciam ou vivenciaram o mesmo que nós. A culpa só nos ajuda se for para nos fazer crescer e mudar alguma coisa de forma positiva, caso contrário, ela só atrapalha e nos frustra. Não se cobre tanto, somos humanos e vamos errar, MUITAS vezes.

Nos conte um poquinho sobre seu projeto “Gestando e Aprendendo” e o seu projeto de coaching e como isso pode ajudar mães e pais a passar por esses desafios que a maternidade nos lança todos os dias…..

Depois que me tornei mãe, minha vida mudou o sentido completamente. E desde então meu trabalho consiste em auxiliar mães que querem passar pela maternidade real, de forma mais leve, alegre e tranquila. Afinal, de mães e bebês “perfeitos” e irreais já estamos cansados, a mídia acaba vendendo uma maternidade que não existe, e quando as mães se deparam com a realidade, com o dia a dia, com sentimentos ruins de vez em quando, se sentem monstros como se não estivessem amando seus filhos o suficiente, ou vergonha por acreditar que só elas passam por isso. E o que elas fazem? Escondem esses sentimentos e angústias, por medo de serem julgadas ou mal interpretadas. O Gestando e Aprendendo surgiu com esse propósito, falar das partes maravilhosas da maternidade, e das não tão boas também, porque tudo na vida tem um lado bom e ruim, e na maternidade não seria diferente, não é mesmo?! É para ser uma rede de apoio, onde as mães se sintam confortáveis para falar o que sentem, e assim, trazermos mais e mais conteúdos. Muitas rodas de conversa, palestras, workshops, grupos de gestantes e grupos de apoio emocional já foram criando a partir do Gestando e Aprendendo, e o resultado é sempre muito bom. Quanto ao Coaching Materno, é um processo de Coaching voltado para o público de mães. Ou seja, qualquer mãe que tenha algum objetivo específico para ser trabalhado em um curto a médio prazo (de 3 a 8 meses, por exemplo), que esteja bem emocionalmente, pode passar por um processo de Coaching. O Coaching é para quem quer ir de um ponto A, para um ponto B. E aqui entram várias situações, como por exemplo: aprender a gerenciar melhor o tempo, mudança de carreira antes ou após a chegada dos filhos, completar todos os afazeres referente ao bebê antes mesmo da sua chegada, organizar a festinha de 1 ano (ou qualquer outra idade) no passo a passo, programar as atividades do trabalho para entrar na licença maternidade tranquila e sem pendências, entre vários outros aspectos. Recentemente tive uma cliente que era gestante e consultora de beleza, trabalhamos no Coaching Materno o objetivo dela que era vender mais os seus produtos de beleza, fidelizar mais clientes, para poder entrar em sua licença com toda a reserva financeira necessária já que ela trabalha como autônoma, e o trabalho foi um sucesso. Claro que isso também é reflexo de todo o empenho dela. Hoje o bebê já nasceu e ela está feliz da vida curtindo sua licença maternidade, e trabalhando bem menos horas do que antes, mas sem nenhuma dificuldade financeira.

Como você gostaria que seus filhos se lembrassem de você no futuro?

Como uma mãe amorosa, presente, e que os ama acima de tudo.

Para você, ser Mãe de Salto Agulha é…

Literalmente se equilibrar entre desafios e conquistas da maternidade!

 Foto pessoal Ana Paula M. Petry