Adoção tardia é linda…. não tenham medo!!!
Marta B. Palhano

Foto arquivo pessoal Marta B. Palhano

Marta é mãe do Pedro (4 anos) e da Cecilia (7 anos), formada em Moda e Relações Internacionais, trabalha hoje, como assessora parlamentar. Diz: “Tenho muito orgulho das minhas raízes, morei na roça até meus 14 anos. Meus pais são agricultores. Sou a primogênita de 3 irmãos. Já passei por muitas dificuldades, já sofri muito bullyng, mas não uso isso como bengala. Sou pisciana, sonhadora, sempre boto fé nas pessoas…. sempre tento dar o meu melhor em tudo o que faço, sou intensa e muito resiliente. Não tenho paciência para pessoas que só reclamam da vida.”

Para muitos pais, a gestação não demora apenas 9 meses e sim anos de espera, o pré-natal não é feito por médicos e sim por documentos burocráticos, advogados, assistentes sociais, psicólogos e por aí vai…. Mas o amor, ah esse sim é igual tanto para quem gera um filho em seu ventre quanto para àqueles que geram em seu coração e é sobre isso que essa Super Mãe de Salto Agulha Marta B. Palhano,  nos conta hoje.

Foto arquivo pessoal Marta B. Palhano

Você tentou engravidar antes de tomar decisão de adotar? O que te inspirou a isto?

Desde que iniciamos nosso namoro há 21 anos, falamos em adotar um e ter outro. Com o passar dos anos, quando decidimos engravidar naturalmente, não tivemos sucesso. Tentamos então duas fertilizações, que também não teve sucesso. A médica não achava um motivo, fizemos todos os exames…e não tinha uma explicação. Hoje sabemos que não deu certo porque nossos filhos já haviam nascido. Em meio a segunda fertilização, estávamos fazendo o curso de adoção. Não teve uma inspiração, a adoção sempre foi algo muito natural para nós.

Por vocês terem escolhido a “adoção tardia” (adoção de crianças com mais de 3 anos), o processo foi mais fácil e rápido que dos pais que optam por bebês? Vocês tiveram algum receio quanto aos traumas que uma criança maior poderia trazer?

Sim, a adoção tardia é mais rápida. Nosso processo levou um ano. Além da adoção tardia, aceitávamos irmãos, não importava a cor, sexo, poderia ter doenças tratáveis, poderia ser cego, falta de algum membro… enfim, nossa lista era super aberta. Nunca tivemos receio sobre traumas.

Quais são os maiores desafios enfrentados na decisão de “adotar”?

Não vejo desafio, é apenas uma decisão. Na hora do processo, a parte mais triste é a tal da lista. É horrível, nos sentimos como num supermercado escolhendo algo. Defendemos que não deveria ter. Pois se você tem natural, você também não pode escolher. Nos sentíamos mal só de ler aqueles perguntas.

Você acha que o sistema de adoção brasileiro é demorado e burocrático demais mesmo (dificultando o processo) ou são os futuros pais que são muito exigentes na escolha das crianças?

Então, é uma junção das duas. Sobre o processo precisa ter um poço de paciência e ser bastante persistente…. e sobre os futuros pais… sinto que a maioria é bastante exigente… nem gosto de falar, pois me deixa triste… mas sei que cada um é cada um…

Como foi descobrir que seria mãe de duas crianças? Vocês têm planos de ter mais filhos?

Sempre pensamos em ter dois… e assim vamos ficar. Cada dia temos mais certeza que eles sempre foram nossos, só estavam perdidos.

Nos conte como foi a experiência de encontro com as crianças…. E como foi o período de adaptação quando as crianças chegaram a sua casa?

Choramos sempre só de lembrar daquelas duas carinhas nos esperando na sala do abrigo. Pareciam tão frágeis. Então, essa questão da adaptação foi tão tranquilo…não tivemos nenhum problema. Acreditamos que foi porque deixamos tudo muito natural. Por exemplo: o quarto deles só tinham cama e armário, a Cecilia que decorou e arrumou com algumas coisas que ela encontrou lá por casa. Fomos construindo juntos. Agora, após quase 3 anos é que fizemos o quarto deles. As duas mudas de roupas que eles trouxeram do abrigo, deixamos no guarda roupas, com destaque. Sempre falando que eram lindas, pois isso era tudo o que eles tinham. Sempre deixamos eles falarem sobre a outra mãe… e orientamos todas as pessoas próximas a deixarem eles falar quado tivessem vontade. Nunca os tratamos como coitadinhos. Eles são nossos filhos, sempre demos limites a eles. Educamos eles como fomos educados, tem cadeira do pensamento, tem chinelada na bunda quando precisa!

Vocês falam abertamente com as crianças sobre o ato de adoção? Elas entendem que foram geradas do coração de vocês e não da barriga?

Sim, os dois sabem que são filhos do coração. A Cecília tem mais lembranças. Sempre deixamos eles falarem sobre o assunto. Tratamos tudo com muita naturalidade.

Como foi ser chamada de “Mãe” pela primeira vez?

Foi tão lindo… foi tanto amor….

Qual a mensagem você deixaria para os casais que estão nesta luta de “adoção” para realizar este grande sonho de serem pais?

Adoção tardia é linda…. não tenham medo!!!

Como você gostaria que seus filhos se lembrassem de você no futuro?

Sendo exemplo, que eles tenham muito orgulho de nos ter como pais.

Para você, ser Mãe de Salto Agulha é…

Dar limites… é ser amiga… é compartilhar os momentos felizes e tristes com eles… é ensinar a ser!!!

Foto arquivo pessoal Marta B. Palhano

7 Comments

  1. Adoreeeei!! Mas já fico aqui pedindo uma “segunda parte” dessa entrevista!! Queria saber se os dois são irmãos de sangue, que idade eles tinham quando foram adotados, como foi a “escolha” por eles (se eles – casal e crianças – se conheceram antes, ou se foram chamados para adotar aquelas crianças especificamente, ou enfim… como foi isso), se os dois foram adotados juntos ou em momentos diferentes, como foi e como é a reação da família, amigos e pessoas em geral.
    Aí, tem tantaaaa coisa mais que eu queria saber!! hehehe
    Parabéns à Marta pela atitude, e a vc pela entrevista!!! Adoreeeeiiii!!!
    Duas lindas Mães de Salto Agulha!!

    Karen
    1. Olá Migalhes!! Vamos ver se consigo responder algumas de suas dúvidas…
      Sim, os dois são irmãos de sangue, quando foram adotados tinham 2 e 5 anos.
      O casal “escolhe” as especificações, neste caso eles eram bem abertos quanto a cor, idade, mais de 1 criança…
      Sim, os dois foram adotados juntos!!
      Realmente há vários outros assuntos para abordar!! Assim que pudermos faremos a parte 2.. hehehe
      Obrigada por comentar e deixar sua marquinha por aqui!!
      Beijos

      Rô da Rosa
  2. Lindo depoimento… e só poderia vir dela. Um exemplo de mulher, amiga, profissional, mãe… a Céci e o Pedro são crianças maravilhosas e nasceram para o Patrick e a Marta. Emocionada lendo cada parágrafo desta história de amor!

    Cláudia Toledo Lorenzett
    1. Realmente Cláudia, a Marta é um ser de luz!!! Céci e Pedro são abençoados por reencontrar essa família tão especial!!!
      Obrigada pelo carinho do seu comentário.

      Rô da Rosa
  3. Querida Marta sua entrevista nos emociona e nos deixa muito feliz saber que existem pessoas tão lindas interna e extremamente como você. Sua família ? é linda ….acompanho pelo Face Book e sempre fico muito encantada com as crianças. Bjs Marlene

    Marlene De Oliveira

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