“E daí veio o puerpério. Aaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh!
Ouvi de várias mulheres, se prepara pro puerpério que é difícil! Eu acreditei, tentei me preparar, mas só entendi mesmo através da vivência.” Marianna Sella

Arquivo pessoal Marianna Sella

Mãe do Samuel (4 meses), Marianna Sella é formada em Medicina Tradicional Chinesa e Letras. É acupunturista, praticante e professora de Yoga. Fez curso de doula em 2014. Atualmente trabalha na Revista Cogitare Enfermagem  http://www.saude.ufpr.br/portal/revistacogitare/, que publica artigos científicos na área de Enfermagem. É vegetariana desde 2012 e se intitula totalmente como muito “estudiosa, natureba e alternativa :)”.

Marianna é uma daquelas pessoas que você admira pela tamanha inteligência, cultura e dedicação aos estudos! Daquelas pessoas que você sabe que vai tirar de letra tudo que vier pela frente, pois sabe que ela se dedicou muito para chegar onde está! No papel de Mãe não foi diferente, estudou muito sobre o assunto, mas a Maternidade, ahhh a Maternidade sempre é uma caixinha de surpresas… Segue abaixo um relato lindo, real e sincero sobre a sua experiência, sua luta contra a depressão e como venceu o luto da amamentação idealizada

UM PEDAÇO DA NOSSA HISTÓRIA

Após 10 meses de tentativas, e um início de terapia que continuo até hoje, engravidei. A gestação foi excelente e de baixo risco. Minha família estava feliz e saltitante, meu marido Felipe inclusive. Tive um parto natural domiciliar planejado, que foi ainda mais legal do que eu sonhava.

E daí veio o puerpério. Aaaaaaaaaaaaaaaaahhhhh!
Ouvi de várias mulheres, se prepara pro puerpério que é difícil! Eu acreditei, tentei me preparar, mas só entendi mesmo através da vivência.
Fui amamentada, exclusivamente, até os 6 meses e complementar até os dois anos de idade. Eu pretendia fazer o mesmo com o Samuel, e doar leite para os prematuros através do banco de leite. Mas ele e eu precisávamos passar por uma experiência diferente.
Samuel nasceu perfeito, lindo, com 3,150 kg, apesar das 37 semanas +2 dias, mamou na primeira hora com contato pele a pele, sem intervenções desnecessárias. Tudo de acordo com as boas práticas.
Em seguida, ele teve amarelão patológico, precisou de banho de luz, e nas primeiras semanas não ganhou peso, embora eu amamentasse em livre demanda. E não era “livre” demanda a cada 3 horas não! Para ter uma ideia, minha mãe e meu marido chegaram a me dar comida na boca enquanto eu segurava o bebê na poltrona de amamentação, porque os poucos minutos que ele largava o peito, eu usava pra fazer xixi. Dormir, praticamente nada. Uma vez celebrei porque o Samuel dormiu tranquilo por 20 minutos e eu pude almoçar com calma – assim que coloquei o prato na pia, ele começou a chorar buscando o seio.
Descobrimos na terceira semana que ele tinha uma dificuldade anatômica: o freio da língua deixava a língua dele presa. Por isso, embora a pega estivesse correta, a sucção não era efetiva. Traduzindo: ele se esforçava loucamente pra conseguir mamar um pouquinho. Conseguimos um cirurgião pediátrico de confiança pra fazer a frenotomia – um corte bem pequeno com cautério pra liberar o movimento da língua.
Começamos o complemento de fórmula nessa terceira semana, e era realmente necessário por ter perdido peso.
Foto arquivo pessoal Marianna Sella Passeio no parque, Samuel com um mês, um pouco maior do que no nascimento.
Com orientação de pediatras com noção e enfermeiras especialistas, eu dava o peito e depois a fórmula, os primeiros dias no copinho e depois na sonda (translactação – coloca uma sonda nasogástrica com a pontinha próxima ao mamilo, de forma que o bebê mama no peito e vem junto o complemento que está num copinho ao lado).
Durante esse período, fizemos a cirurgia corretiva e continuamos com seio + complemento. Após a cirurgia, fizemos duas tentativas de retirada do complemento, mas o Samuel embora estivesse com a língua corrigida, precisava reaprender a sugar.
Toda essa situação de esgotamento físico, emocional e mental, combinado com a preocupação real sobre a saúde do Samuel, e mais inseguranças anteriores, me levaram a um quadro de depressão com crises de pânico.
Antes de engravidar, eu comecei atendimento com a Hany, uma psicóloga maravilhosa, que me ajudou a ver a situação como ela estava. As palavras dela estão gravadas na memória: “O Samuel precisa mais de uma mãe com sanidade dando mamadeira do que uma mãe doente dando peito.” E me lembrou que a fórmula, quando bem utilizada, consegue dar conta de desenvolver pessoas saudáveis e felizes.
Preciso pausar pra reforçar que o aleitamento materno exclusivo é a perfeição da natureza. Não estou de maneira alguma incentivando o uso indiscriminado de fórmula. Meu sonho era amamentar. Mas existem algumas poucas situações em que a fórmula é bem vinda. A minha foi uma dessas.
Fiz o desmame gradual do Samuel em uma semana. A partir da sétima semana de vida, ele mama fórmula na mamadeira. E estamos tentando aproximar o máximo possível a mamadeira do peito.
Foto pessoal Marianna Sella Samuel é muito expressivo e feliz! Filho é pra gente se divertir!!
A ARMADILHA DO EGO
Tem um psicólogo americano que eu amo e que mudou minha vida pra melhor, o dr Doug Lisle. Um dos aprendizados que tive com ele foi o que ele chama de “ego trap” (armadilha do ego). Resumindo, quando você quer muito uma coisa, mas acha que não vai conseguir, a armadilha é a seguinte: você abandona a atividade completamente, agindo de forma evidente para si e para os outros que você nem está tentando, e por isso você não teve sucesso, e não por incapacidade sua. Assim, você “protege” seu ego, seu status perante os outros. (veja o vídeo recomendado, em inglês)
Trago isso porque vi, vivi e venci o luto da amamentação idealizada e vejo, vivo e estou vencendo a alimentação com fórmula na mamadeira. Meu sonho era amamentar, mas não foi possível. A armadilha do ego é largar mão no quesito alimentação do bebê, já que não consegui amamentar, dar a mamadeira de qualquer jeito e pronto. Já que não sou imprescindível para a alimentação, qualquer coisa serve. Não vou ficar pensando nisso.
Nosso caminho foi construído de outra forma. Nos próximos posts, vou fazer um resumo do que eu aprendi sobre amamentação, e listar o que estamos fazendo para aproximar a mamadeira do aleitamento materno, deixando bebê, mãe e a família inteira o mais feliz possível.
Arquivo pessoal Marianna Sella
LEITURAS RECOMENDADAS
The baby book – dr William Sears, Martha Sears
https://www.amazon.com/Baby-Book-Everything-About-Birth/dp/1491518235
Vídeo
Dare to be lousy – dr Doug Lisle
https://www.youtube.com/watch?v=h9L5auIMlu4

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