Marianna, mãe do Samuel (nascido 27/12/17).
Compartilha com a gente alguns pontos super importantes na hora de amamentar, um artigo cheio de informação que ajudará ainda mais as mamães que estão neste processo delicioso e, ás vezes, doloroso, de amamentar!

foto arquivo pessoal
A UNICEF e a OMS recomendam a amamentação exclusiva no leite materno até os 6 meses de idade, e complementar até os 2 anos ou mais (1). O leite humano é o alimento ideal para o bebê humano, assim como o leite da vaca é ideal para o bezerro e o leite da égua é ideal para o potro. A composição varia de espécie para espécie, alinhando-se com as necessidades dos filhotes.
Além de ser grátis, o leite materno vem na temperatura ideal, está sempre pronto, não tem risco de contaminação. Como regra geral, bebês que mamam no peito tem saúde melhor e se desenvolvem mais, tendo impacto positivo na vida inteira inclusive na inteligência. (2)
O leite é majoritariamente produzido durante a sucção do bebê. Quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido. Quanto menos o bebê suga, menos leite é produzido. 80% do leite é produzido durante a mamada, só 20% fica “em estoque” – é uma fábrica, não um depósito.
Precisamos definir amamentação no peito em livre demanda, que é nosso referencial. Livre demanda é que o bebê decida quando e quanto mama, de acordo com a necessidade dele, de preferência oferecendo o peito aos sinais de fome antes do choro desesperado (sugar, barulho com a boca, reclames, etc.). É claro que às vezes o bebê vai ter fome e precisar esperar, por exemplo se está andando num carro, ou se a mãe precisa ir ao banheiro. Um bebê saudável fica irritado, mas pode esperar um pouco, até faz parte de aprender a lidar com a frustração.
O leite não é homogêneo. A composição varia durante a mamada. No início o leite é rico em água, matando a sede do bebê – leite anterior. Continuando a sucção, vem o leite intermediário, rico em fatores de proteção imunológica. E depois, o leite posterior, rico em gorduras, essencial para o ganho de peso. A cor e textura do leite variam sempre, se adequando às necessidades do bebê.
Não dá para saber quanto leite foi mamado. Alguns bebês mamam rápido, outros em velocidade menor. Um bebê que mamou por meia hora pode ter ingerido a mesma quantidade de leite que um bebê que mamou por 10 minutos. Por isso, é importante não impedir o bebê faminto de mamar, porque é possível que na mamada anterior ele não tenha bebido muito leite e pode estar realmente com fome meia hora, uma hora depois. Só quem sabe quando está saciado e por quanto tempo é o bebê.
A sucção do peito é bem diferente da mamadeira, e da chupeta. Algumas crianças conseguem mamar no peito e também na mamadeira, outras conseguem peito e chupeta. Mas há crianças que, quando incentivadas a pegar mamadeira ou chupeta, acabam largando o peito. Você precisa saber disso antes de escolher utilizar esses artifícios. Para oferecer leite materno esgotado, é possível desde o nascimento usar o copinho, evitando assim a confusão de bicos. (veja o copinho em ação aqui: https://www.facebook.com/maesdesaltoagulha/videos/203782470225079/)
A produção do leite está associada à ocitocina, hormônio do amor, também importante no parto. Amamentar biologicamente te incentiva a se apaixonar pelo bebê.
A posição do bebê no peito (a “pega“) é muito importante para a eficiência na mamada. É importante que o bebê faça a boca de peixinho, abocanhando toda a parte de cima da aréola e um bom tanto da de baixo. Assim, diminui-se o desconforto da mãe. Pense evolucionariamente: a mãe tem que amar o bebê, porque sem amor, como cuidar desse serzinho barulhento? Como amar o bebê com dor e machucados? A pega correta deixa o mamá prazeroso para a mãe e para o bebê. (3)
O bebê que pega o peito corretamente engole pouco ar, por isso não precisa arrotar em todas a mamadas. Se ele está confortável, não insista pra ele arrotar, só vai incomodá-lo.
Para saber mais sobre amamentação, e como lidar com algumas dificuldades, recomendo a leitura do dr Carlos González (4).
Recomendo mais ainda o auxílio de uma profissional de amamentação. Eu tive o auxílio da enfermeira obstétrica Cibele, que também participou do meu parto. Ela foi essencial para as seis semanas em que amamentei no peito, dando toda a orientação para que eu tomasse as decisões acertadas, pra mim e pro Samuel.
Mesmo sabendo de tudo isso, e tendo apoio da família, o Samuel mama fórmula desde o segundo mês de vida. Em uma próxima oportunidade, compartilho aqui como tem sido nosso processo de amamentação.

 

LEITURAS RECOMENDADAS
(1) UNICEF – Aleitamento materno – https://www.unicef.org/brazil/pt/activities_10003.htm
(2) Pesquisa inédita revela que amamentação pode aumentar inteligência – http://www.blog.saude.gov.br/index.php/35305-pesquisa-inedita-revela-que-amamentacao-pode-aumentar-inteligencia
(2) Estudo original (em inglês) – Association between breastfeeding and intelligence, educational attainment, and income at 30 years of age: a prospective birth cohort study from Brazil – https://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(15)70002-1/fulltext
(4) Manual prático de aleitamento materno – dr Carlos González