“Tenha sempre em mente que o Medo afasta, cala a voz e esconde os sentimentos, o Respeito aproxima, conversa e compartilha emoções.
Rô da Rosa

Muito se fala hoje em dia sobre Disciplina Positiva, Criação com Apego e mais várias formas de lidar respeitosamente com as crianças. Isso acaba levantando muitas  dúvidas quanto ao limite, por isso é importante nos perguntar, até onde nós, os pais, podemos deixar a criança ir sem intervenção?

Como muitos sabem, meu filho Felipe frequenta uma escola Montessori e eu venho estudando este método de ensino muito antes dele nascer, para quem tem interesse de aprender e aplicar esse método em casa, recomendo muito o curso online Montessori para Famílias e Lares , que aborda técnicas para implementar e adaptar a metodologia Montessori para a sua realidade familiar. É uma maneira de respeitar as crianças de forma mais livre, dando espaço para que sejam elas mesmas, aprendendo as coisas de forma bem particular, prezando muito pela “liberdade” de movimentar-se quando quiserem, de fazer suas próprias escolhas, de ter autonomia em suas ações, de pensar livremente e se expressar como bem entenderem.

Mas aí mora a grande dúvida, damos tanta liberdade para as crianças, como saber onde entrar em ação e intervir quando preciso?

Confesso que já estive em várias situações onde fiquei sem saber como agir, mas logo lembrei das 3 premissas básicas de limites o que me ajudou muito a tomar a melhor decisão no momento, visando não exatamente “limitar” o comportamento do meu filho mas, sim, orientar suas ações. De maneira BEM simplificada, a criança NÃO PODE machucar ninguém, ou seja:

1) Não Pode se Machucar: Se a criança está batendo com a cabeça na parede, ou está puxando seu próprio cabelo, se cortando (na pior das hipóteses) ou qualquer outra ação que esteja se ferindo, SIM, devemos intervir, segurar firme seus braços e com gentileza e firmeza falar, por exemplo: “Filho, você está machucando seu corpo, não posso deixar você fazer isso. O que podemos fazer para que você se acalme? Estou aqui para você”. Mesmo que muitos pais acreditem que a criança esteja fazendo isso apenas para chamar atenção, tenha certeza que isso é um pedido de ajuda e ela precisa receber a atenção devida para que nada de mais grave aconteça.

2) Não Pode Machucar outra pessoa ou animal: A criança está em uma crise de raiva e resolveu bater em você, no irmão, no cachorro… Por mais que, às vezes, possa até ser engraçado e muitas vezes nem doer, esse é mais um momento em que devemos SIM intervir e da mesma maneira acima, segurar firme seus braços e com gentileza e firmeza falar, por exemplo: “Filho, estou vendo que está com raiva, mas bater não é uma opção, não posso deixar que machuque ninguém”. Quando a criança for menor, dizer para fazer carinho ao invés de bater ajuda muito, pois as vezes eles nem sabem que bater machuca. Porém, quando começam a entender que o “bater” é uma forma de agressão (na hora da raiva), algo que ajuda bastante por aqui, é ter uma almofada por perto e sempre guiar a ação para que bata na almofada, assim, damos uma opção para a mesma ação de maneira mais segura.

3) Não Pode “Machucar” o Meio Ambiente: A criança está quebrando seus brinquedos, está rabiscando o sofá, está jogando o vaso de plantas no chão… A primeira coisa a se fazer é parar a criança e explicar a consequência deste ato, por exemplo: “Filho, você está quebrando seu brinquedo, logo, não terá mais ele para brincar”, ou “Filho, as canetinhas são para pintar no papel, o sofá é feito para sentar, como faremos para limpar?, “Filho, você quebrou o vaso, a terra caiu toda no chão, como faremos para limpar?” Se você falar com firmeza, porém sem gritar ou xingar, a criança vai entendendo que toda a ação tem uma consequência e isso fará com que tenha mais senso de colaboração.

O meu filho já jogou muita água no chão (e muitas outras coisas também), e sempre quando isso acontece, a primeira coisa que passa na minha cabeça é: “ok, já aconteceu, a água não vai voltar para o copo. Isso me ajudou demais, pois pense comigo, já aconteceu, não há como voltar atrás, não vai adiantar gritar, espernear, muito menos bater. Agora é contar até 10, incorporar o Buda (adoro essa!) e lidar com a situação, não deixe que a criança continue a ação, explique as consequências e a coloque trabalhar para arrumar o que foi danificado (claro que se for um vidro, por exemplo, não vai deixar que ela manuseie), mas no que for possível, sim.

Maria Montessori falava muito em consequências naturais dos atos, as crianças aprendem muito quando têm a oportunidade de analisar seus próprios erros, e isso já é uma grande lição. Bater, gritar, agredir verbalmente, só farão com que eles se sintam humilhados e não saibam como agir quando alguma outra pessoa errar também, replicando a violência e humilhação. Por isso, quando os ânimos acalmarem, converse de maneira gentil, explicando as situações e assim, essas ocorrências vão diminuindo cada vez mais (assim esperamos!).

Eu sei, na hora que a raiva sobe, a vontade de“devolver na mesma moeda”é grande, afinal somos HUMANOS, e não há nada de errado sentirmos raiva, mas é nessas horas que devemos lembrar que temos controle do nosso próprio corpo. Se você já falou 50x a mesma coisa e já não aguenta mais, não há nada de errado em mostrar vulnerabilidade, a impotência diante dos fatos, mostrar que você realmente não sabe mais o que fazer, sente, chore se preciso, peça ajuda à própria criança para resolver esse dilema, ela precisa também ver que você é um SER HUMANO, e não esqueça que a ferramenta de controle que deve ser utilizada nunca é a violência, e sim o RESPEITO.

Você quer que seu filho tenha Medo de você ou tenha Respeito por você? Há uma linha que separa esse dois e ela não é tênue como muitos podem pensar…

A diferença entre o Medo e o Respeito é que o Medo controla a situação temporariamente, pois na hora que eu sinto medo eu paro na hora, congelo, mesmo não sabendo ou entendendo direito o real motivo. Já o Respeito é um regulador de conduta construída pelo tempo, demora bem mais para se consolidar, afinal, passa pela admiração, pelo vínculo e pela intimidade, eu só respeito quem me respeita, quem eu admiro, quem tem intimidade com a minha pessoa e, principalmente,  quem me dá liberdade de ser quem eu realmente sou. Tenha sempre em mente que o Medo afasta, cala a voz e esconde os sentimentos, o Respeito aproxima, conversa e compartilha emoções.

Resumindo, devemos SIM dar limites aos nossos filhos, fazendo-os respeitar a si mesmos, aos outros e ao ambiente em que estão inseridos, cabendo a nós, o discernimento para reconhecer estes momentos e guia-los da maneira mais apropriada possível. Se a ação da criança não a coloca em risco, nem prejudica outras pessoas e seres e nem o ambiente, Montessori nos perguntaria, e nós também devemos nos perguntar, e por quê não?

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Texto: Rô da Rosa
Blog: Mães de Salto Agulha
Instagram: @maesdesaltoagulha

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