“É quando a criança se dá conta de que é um indivíduo e luta para conquistar o seu espaço e por mais que seu cérebro seja incrível, ainda é muito imaturo para entender todas as suas necessidades e sentimentos, gerando assim muitas frustrações nela mesma e nos seus cuidadores”
Rô da Rosa

A sociedade anda mudando muito os conceitos, o que é maravilhoso, já podemos ver grandes avanços na criação dos filhos, mais empatia, mais afeto e respeito. Porém, parece que todos os nossos estudos vão por água abaixo quando nosso filho de quase 2 anos faz um escândalo em público, não é mesmo??

A nossa geração não foi criada com tanta compreensão, foi a base de castigos, recompensas, “criança mimada essa que só chora né?”, e por aí vai… E hoje com tanta evolução, quando uma criança se joga no chão, os olhares de reprovação ao redor ainda são maiores que os de compreensão. E infelizmente, a nossa reação de pais ainda é de extrema confusão, ainda temos vergonha do ocorrido, ainda ficamos na dúvida se tiramos a criança a força do chão ou nos jogamos junto para chorar! hehehe

Não, não é tarefa fácil passar por essa fase, mas deixa eu te contar, também não é fácil para eles!!!  Pensem comigo, em apenas 2 anos, eles aprenderam habilidades mirabolantes, aprenderam a se comunicar por meio de gestos e palavras, viram inúmeras cores, sentiram cheiros estranhos, gostos esquisitos, pessoas diferentes… é como se a gente viajasse por 2 anos, cada dia em um país diferente, tendo que aprender a se virar para se comunicar em diversas línguas, lidar com pessoas felizes e mal humoradas, dirigir, andar de avião, de barco e ainda estar com um sorriso no rosto no final de cada dia!!! Difícil né? Pois é…. para eles também é e este momento, por volta dos 2 anos, é quando a criança se dá conta de que é um indivíduo e luta para conquistar o seu espaço e por mais que seu cérebro seja incrível, ainda é muito imaturo para entender todas as suas necessidades e sentimentos, gerando assim muitas frustrações nela mesma e nos seus cuidadores. Cabe a nós adultos, agirmos como adultos que somos e controlarmos nossas emoções, para que eles também aprendam, pelo exemplo, a como lidar com as emoções deles!

Então vamos lá, criança precisa de rotina, isso a gente já sabe né? É nela que a criança se sente segura, por isso, é ótimo verbalizar os próximos passos que vocês seguirão.

Algumas coisinhas que andam funcionando por aqui:

  • Narrar todos os atos que estão acontecendo e que vão acontecer, do tipo, “Hummm, agora você está jantando, logo vamos tomar banho, escovar os dentes, secar o cabelo, ler um livro e dormir né?”. Isso ajuda a criança visualizar cada situação e não há muito o que contrariar, pois, já está tudo pré-definido e bem lembrado a cada momento.
  • Se vamos ao supermercado, por exemplo, no carro já começo a falar: “Filho, nós vamos no mercado comprar a sua banana, batata, fralda, você me ajuda a achar tudo?”. Isso faz com ele ele se sinta importante, e não perca o foco com outras coisas. Funciona sempre??? Claro que não, mas ajuda bastante!
  • Aconteceu dele estar extremamente cansado e a gente precisar sair? Já saio preparada para incorporar o Buda, pois sei o que vem por aí, e aí não há narrativa de procedimento que ajude! Geralmente, nesses momentos ele começa a chorar e a sentar no chão (em qualquer lugar), se debater feito um polvo…. E nesses momentos é que a gente precisa entrar em ação e tentar explicar ao nosso “polvinho” o que ele está sentindo, aí vem o tão falado ACOLHIMENTO! Primeiro é bom contar até 10 (ou 1000) mentalmente, aí começo a tentar entender o que aconteceu e ver o que ele está sentindo e falo “filho, estou vendo que você está cansado, mas o chão não é lugar para sentar ou deitar, você quer um colo? Ou um abraço?”. Caso ele decida sair correndo e estiver perto da rua, eu digo “olha filho, sempre para atravessar a rua tem que dar a mão, né? Você lembra como ensinamos?”, caso ele não aceite, aí pegamos ele no colo e explico, “você pode ir no chão quando chegarmos na calçada”. Sempre de maneira firme, porém, gentil! Verificamos quais as necessidades dele e, se possível, encurtamos a saída e vamos embora, com a promessa de que nunca mais sairmos quando ele estiver cansado (hahahaha até parece né?).
  • Outra coisa que nos ajuda muito aqui em casa é a “Causa e Consequência”, hoje mesmo Felipe estava almoçando e jogou o copo de água inteiro no chão, ele me olhou assustado, quis chorar, mas aí eu bem plena (contando até 10000 mentalmente), falei: “Opa filho, caiu o copo né? Como vamos fazer para limpar?”, ele foi correndo pegar o pano e limpar tudo, nem cogitou a ideia de não fazê-lo! Tenho certeza, que se eu tivesse gritado ou brigado, a reação dele seria de raiva e ele não iria querer cooperar, sendo assim, ele sabe que todo ato há uma consequência que ele precisa arcar. Outra coisa que me ajuda nessas horas é pensar “bem, já aconteceu, não posso voltar atrás, então melhor aceitar… dói menos!!”. Isso tem me ajudado em várias outras áreas da minha vida também! Foco nas consequências e em como solucioná-las !!!!!
  • Mais uma coisa que nos ajuda a passar por momentos difíceis, é deixar que ele escolha o que quer vestir, ou comer por exemplo, dentre duas opções que eu mesmo dou!! Isso faz com que ele “ache” que tem o poder de escolha, que na verdade é meu (hahahahaha risada maquiavélica!!!)

Bem, mas como a Maternidade não vem com manual de instruções, a verdade é que não há regras de como agir com seu filho, há o bom senso, as tentativas, os dias bons e ruins! Então se serve de consolo, aqui nem todos os dias são bons, mas todos os dias eu vou dormir com a esperança de que AMANHÃ será melhor! Tenho incorporado muito o Buda aqui e ele tem ajudado bastante! hehehee…

Quando olhamos a criança por outra perspectiva, a gente fica mais calma, automaticamente, sempre penso assim: “mas se tivessem tirado meu celular a força eu também ficaria com raiva”, aí vou tentando lidar com as situações da minha melhor maneira! Acolher a criança é estar ali presente, não ignorar o seu choro e sair de perto, ou tentar calar a criança a todo custo, às vezes, eles precisam chorar para aliviar a tensão, mas, principalmente, precisam de nós para entender o que é tensão! É estar ali para o abraço que conforta, o beijo que cura, ou até o silêncio que acalma, mas estar ali, sendo o norte, o sul o leste e o que mais precisar ser!

Vai dar certo sempre? Claro que não, e nem seria possível dar certo sempre, pois somos SERES HUMANOS e mudamos nosso comportamento e opiniões de tempos em tempos, e que bom né? Mas tenha a certeza de fazer o melhor que pode ser feito em cada situação e o primeiro passo para isso é incorporar o Buda e entender o que realmente seu filho precisa. Atenda às necessidades e não aos desejos (isso é muito importante!)

Um abraço bem forte em todas as Mamães e Pimpolhos que estão passando por essa fase, pois se não tá fácil para nós, imagina para eles!!! hehehehe

Ahhh e tente não chamar de “Terrible Twos”, pois de terrível só tem os pré-conceitos já formados, chamaremos agora de os “Incríveis 2”, pois com tudo que passamos, faz bem mais sentido né? Somos incríveis e eles também!!!

Texto: Rô da Rosa
Blog: Mães de Salto Agulha
Instagram: @maesdesaltoagulha