Muita gente está me perguntando como está o Felipe na evolução nos sinais e da linguagem, se ele ainda faz sinais mesmo falando, e como está o contato com outras línguas, etc. Então resolvi contar para vocês como estamos no processo da linguagem aqui em casa.

Para quem ainda não sabe do que eu estou falando, deixo aqui meu outro post sobre Linguagem dos sinais para Bebês, onde eu explico sobre o método, história e benefícios dessa forma de comunicação.

Felipe dando “tchau”

Felipe começou a sinalizar com 9 meses e desde lá, não parou mais. Sua interação conosco e com as pessoas ao redor sempre foi impressionante e o melhor, pouco chorava para pedir algo, pois sabia que suas necessidades seriam rapidamente atendidas! Este é um dos grandes benefícios que a Linguagem dos Sinais para bebês nos traz e SIM funcionou MUITO aqui em casa, houve muito pouco choro por esses motivos de comunicação.

O que mais ficamos impressionados com todo esse processo, foi a facilidade de ENTENDIMENTO das situações, Felipe entende TUDO o que falamos, sabe diferenciar “quente e frio”, “dentro e fora”, “fechado e aberto”, “em cima e embaixo”, desde muito cedo, e quem tem contato com ele ficava e ainda fica admirado como ele tem noção dessas interpretações mais “complexas” para a idade dele!

No artigo, Gesture is at the cutting edge of early language development (O gesto é a porta de entrada do desenvolvimento inicial da linguagem) , diz que os sinais fornecem trampolins para construções linguísticas cada vez mais complexas. E pude notar na prática que realmente são, notei que com o tempo, Felipe juntava sinais e montava suas próprias “frases”, muito novinho, que entendíamos perfeitamente. Os gestos são formas já bem primitivas da criança se comunicar, mesmo que você não o ensine, de fato, os sinais, seu bebê, naturalmente, irá aprender a levantar os braços quando ele quiser colo, vai aprender a balançar a cabeça quando quer dizer “não” ou “sim”, vai apontar para qualquer coisa quando ele achar aquilo interessante, não é mesmo? Ou seja, se eles já possuem a habilidade nata de aprender alguns sinais sem querer, por que não ensiná-los por querer, mais alguns para melhorar a comunicação entre vocês?

Por que não né?

Algumas dicas que podem ajudar no início com a Linguagem dos Sinais para Bebês:

  • Seja consistente, tente inserir os sinais ao máximo à sua rotina, assim como o falar, o gesticular também deve fazer parte da sua comunicação! Lembre-se de sempre utilizar o sinal juntamente com a palavra e com a expressão facial o mais articulada possível, pois é assim que a criança vai conseguir imitar o som mais tarde;
  • Ensine o sinal para as pessoas que terão mais contato com seu filho, assim, a consistência ficará ainda mais nítida e a criança aprenderá mais rápido;
  • Encoraje a criança a fazer o sinal junto com você, fique animada e feliz quando ela conseguir;
  • Repita muitas vezes os sinais, a repetição faz com que a criança grave mais e logo queira imitar;
  • Lide com os sinais de forma leve e divertida e não como um peso a mais a se aprender! Caso o bebê não faça o sinal, nunca negue o que foi pedido, entregue e tente novamente em uma outra oportunidade;
  • Tenha PACIÊNCIA, os sinais não serão assimilados do dia para noite, leva um tempinho, faça os sinais sem muitas expectativas e logo verás o resultado.

Quando a criança começar a falar, caso você não queira mais continuar a evolução da Linguagem dos Sinais, você pode parar de fazer o sinal e apenas falar a palavra desejada, naturalmente, a criança também vai parar e começar apenas a falar as palavras.

Por aqui os sinais que estão na ativa ainda são “Obrigado” e “Por favor”, na verdade ele até já falou algumas vezes (mais em Inglês do que em Português) , mas ainda prefere os sinais. O restante dos sinais já parou, naturalmente, pois ele já fala as palavras soltas muito bem claras agora. Felipe tem exatamente 2 anos.

Ah e tem mais 1 sinal que todos nós fazemos e que nunca mais vamos parar de fazer, o de “Eu te amo”🤟🏻. Esse sinal ficou nossa marca registrada, uma espécie de “código” só nosso e que fazemos todas as noites ao nos despedir para dormir. É mais uma forma de demonstrar o nosso amor, agora com as mãos também! É uma delícia!!! Você também tem um “código”com seu filho?

Como estamos morando fora do Brasil, mais especificamente, em Malta, Felipe tem contato com várias línguas em seu ambiente escolar, Inglês e Maltês com mais frequência e Italiano e Alemão com alguns de seus coleguinhas. Em casa, o Português domina com a gente e com nossos amigos mais próximos. Ou seja, por alto, são no mínimo 5 línguas rondando a cabecinha dele! hehehe…Volte e meia ele solta umas palavrinhas soltas em Alemão, uauuu achamos o máximo! Porém, por esse motivo, segundo vários especialistas (já li milhares de artigos sobre), crianças com acesso a vários idiomas, têm a construção de frases um pouco mais demorada, pois leva um pouco mais de tempo para ser processada e formuladas com clareza! E sim, aconteceu aqui também, Felipe confunde os idiomas, principalmente, o Inglês e o Português, e mais uma vez, os sinais vieram como um grande aliado em nossa comunicação e compreensão, pois ele entende que fazendo apenas apenas 1 sinal, ele consegue falar a mesma coisa em 2 ou mais línguas.

Mesmo sendo bilíngue, Felipe, agora aos 2 anos, deslanchou com as palavrinhas, repete praticamente TUDO o que falamos ou cantamos (em Inglês e em Português), está juntando 2 ou 3 palavras sozinho, mas ainda não forma uma frase inteira “certinha”, acreditamos que muito em breve isto aconteça.

Infelizmente, no Brasil, pouco, muito pouco ainda se sabe sobre Linguagem dos Sinais para bebês e ainda gera algumas dúvidas quanto à sua real eficácia na aplicação, em uma pesquisa rápida feita por mim, mais de 75% das pessoas que me seguem no Instagram, nunca ouviram nem falar sobre isso, o que me dá ainda mais a vontade de trazer este assunto à tona!

Vale ressaltar aqui, que a Linguagem dos Sinais para Bebês tem entrado em estudo há apenas 30 anos, ou seja, os estudos feitos até hoje com os bebês que utilizam a Linguagem dos Sinais, são relativamente pequenos, se comparado à quantidade de bebês e crianças que praticam o método na atualidade, no entanto, essas pesquisas já parecem muito promissoras. Esses resultados, combinados com milhares de relatos oferecidos por pais que já utilizam a técnica (a maioria dos EUA), oferecem infinitas razões para ficarmos muito otimistas com o sucesso de futuras pesquisas que virão sobre este tema!

E mesmo que provem que as crianças que utilizaram os sinais não vão, necessariamente, se desenvolver mais rápido, ou ter QI mais elevado, ou mesmo ser gênios da leitura comparados com as crianças que não fazem sinais (o que alguns estudam já apontam), o ponto mais válido aqui é que elas vão SIM ter a capacidade de se comunicar efetivamente mais cedo, gerando uma atmosfera mais acolhedora e compreensiva ao seu redor.

E muitos podem dizer, “mas é importante que as crianças sintam a frustração para que entendam como lidar com os problemas naturalmente e evoluam”. Bem, na minha humilde visão e opinião (de mãe e estudante amadora da área), a frustração virá naturalmente por outras razões, razões essas que podem ser pequenas aos nossos olhos, mas são gigantes para os pequenos, como por exemplo, a “bolacha que acabou”, o “passarinho que voou e não voltou mais”, a “chuva e o frio que não deixaram a criança ir lá fora brincar”, a “garrafinha de água que está vazia”, são tantas coisas que podem passar na cabecinha deles e que a gente poderia demorar horas para tentar descobrir, em meio ao choro desesperado, e mesmo assim não fazer a mínima ideia do que fosse, vocês conhecem algum relato como este? Agora imaginem se elas pudessem SIM explicar todas essas situações…

Pois bem, vocês hão de convir comigo que entender essas “frustrações”, farão com que os cuidadores tomem uma atitude muito mais assertiva de acolhimento, fazendo com que a criança se sinta realmente compreendida e levando essa mesma “frustração” de forma mais natural, achando soluções mais rápidas e então “evoluindo”, quem sabe até da maneira que mais desejamos que aconteça, evoluindo emocionalmente! Ou seja, a frustração deve vir de uma consequência e não da comunicação, faz sentido?

E aí, interessando em saber ainda mais? Vivaaaaaa!!!

Vamos juntos?

Referências:

Baby Sign Language

Gesture is at the cutting edge of early language development. Ozçalişkan S, Goldin-Meadow S.Cognition. 2005 Jul;96(3):B101-13. Epub 2005 Mar 23.

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